Como abordar a igualdade social em sala de aula?

Como abordar a igualdade social em sala de aula?

Por: Marcia Belmiro | Educação | 06 de julho de 2020

Temos o direito de ser iguais sempre que as diferenças nos inferiorizem, temos o direito de ser diferentes sempre que a igualdade nos descaracterize.
Boaventura de Sousa Santos

Em um país tão desigual quanto o Brasil, é dever de todas as instituições promover – não só na teoria, mas sobretudo na prática – a inclusão, em todas as suas formas. E a escola, como instituição que prepara as crianças e adolescentes para o mundo, pode ser uma grande aliada no ensino da cidadania e do respeito ao próximo, tanto quanto da matemática, do português, das ciências etc.

A escola, como um microcosmo da sociedade, abrange em si as mesmas contradições que estão presentes do lado de fora de seus muros: o preconceito, o bullying, a intolerância estão presentes no contexto escolar tanto quanto as mesas, cadeiras e a lousa. Evitar falar sobre essas questões, na prática, só reforça as desigualdades.

São tantas as formas da desigualdade que pode ser um desafio para os professores lidar com isso: diferenças raciais, de gênero, de orientação sexual e religiosa, sem falar das necessidades especiais a nível físico e mental. No entanto, a prática pedagógica tradicional desconsidera essas diferenças, e age como se o processo de aprendizado – tal como o grupo de alunos – fosse homogêneo.

Para auxiliar os educadores nesse processo de desconstrução, listamos cinco formas de promover uma educação inclusiva na prática:

  1. A palavra ensina, mas o exemplo arrasta. A promoção da igualdade e o combate à desigualdade devem nortear as políticas da instituição. Por exemplo, em uma escola que não tem nenhum aluno com deficiência não é possível começar o diálogo sobre respeito às diferenças. As crianças, especialmente, aprendem pela prática. Como saberão lidar com algo que desconhecem?
  2. Pesquisa em diversas fontes. Ler textos científicos e literários sobre o tema desigualdade pode trazer uma perspectiva mais ampla para os alunos, em termos teóricos. Assistir a filmes e fazer pesquisas em sites confiáveis também pode ser útil.
  3. Lugar de fala. O professor pode ter os melhores recursos pedagógicos, mas provavelmente não saberá falar com propriedade sobre racismo sendo uma pessoa branca, por exemplo. Nesse caso, vale a pena convidar um especialista no assunto, na teoria e na prática.
  4. Geração de empatia. Dramatizar situações de preconceito e bullying, de modo que na dinâmica uns alunos possam se colocar no lugar dos outros, é uma forma de promover a empatia no grupo.
  5. O papel da prática. Após as pesquisas, a palestra do especialista e as dramatizações, a turma pode promover uma exposição dos trabalhos, com tudo o que foi aprendido, para o restante da escola.

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