Como elogiar e criticar de modo certo em sala de aula?

Como elogiar e criticar de modo certo em sala de aula?

Por: Marcia Belmiro | Carreira | 30 de dezembro de 2019

Todo mundo tem pelo menos um professor que marcou sua vida: alguém que acreditou em seu potencial e o incentivou a ir além. Isso acontece porque o professor tem o papel de líder em sala de aula. Ele tem o poder de inspirar e guiar os alunos, auxiliando-os a descobrir seus talentos e a crescer – não apenas intelectualmente, mas de maneira integral.

Nessa relação com indivíduos ainda em formação, fortalecer a autoestima dos alunos e dar a eles limites firmes, mas com respeito são atitudes igualmente importantes. Nas nossas redes sociais, nos cursos e mentorias os professores sempre nos perguntam: Como fazer elogios e críticas do modo certo em sala de aula?

Vamos por partes:

Troque o elogio por encorajamento.

Quando se diz a um aluno que ele é “ótimo em matemática” ou se fala para a turma que fulano “é muito inteligente”, aparentemente isso parece bom, mas na verdade não é. Isso porque a facilidade para a matemática e ser inteligente são características inatas, ou seja, se nasce com elas ou não. Quando usamos esse tipo de expressão, estamos: a) prendendo o estudante elogiado na zona de conforto, pois ele percebe que não precisa fazer nada para obter bons resultados, pois ele já é incrível; e b) desestimulando os demais, que nunca serão como o colega.

No entanto, se encorajamos sinceramente o aluno, notando algo que ele conquistou com dedicação, ele se sentirá cada vez mais motivado a se desenvolver e alcançar novos patamares. O encorajamento, ao contrário do elogio, dá mais foco ao esforço que ao resultado.

Exemplo: Em vez de “esse trabalho ficou sensacional, você é super talentoso”, que tal “fiquei surpreso com como você usou a criatividade aqui, você encontrou uma solução que eu nunca tinha visto, deve estar orgulhoso de si mesmo”?

Não faça parte do problema, mas da solução.

Quando fazemos uma crítica, mesmo que nos pareça construtiva, chamamos a atenção para uma fraqueza do indivíduo (geralmente do mesmo jeito que o elogio, tipo “você é teimoso”, como se isso fosse parte integrante de quem ele é). Consequentemente a pessoa não se sente motivada a alterar aquele comportamento. No entanto, se levamos o aluno a perceber de modo positivo e saudável o que houve de errado, ele será capaz de compreender com clareza o que pode ser alterado, e por sua vez o grupo caminhará, de maneira conjunta, para encontrar as soluções para o problema.

Exemplo: Em vez de: “Porque vocês falam demais estamos atrasados com a matéria. Agora vou ter que resolver isso sozinho.” Que tal: “Na última aula, vocês estavam falando enquanto eu explicava a matéria, com isso não foi possível cumprir o cronograma. Eu gostaria que, juntos, encontrássemos soluções para resolver essa situação. Preciso que vocês me deem boas ideias para que eu não fique devendo esse conteúdo a vocês.”

Fazer os alunos perceberem o que os atrapalha e se engajarem nas próprias soluções foi o que fez a professora e KidCoach Lidiane Barros. Veja o depoimento dela:

“Eu tinha um aluno com a marca da desorganização: o material era bagunçado, o cabelo era despenteado, as roupas eram amassadas. Eu tentava conversar com ele sobre isso, mas o menino me respondia que não fazia sentido nenhum pra ele mudar, que estava feliz assim.

Percebi que estava agindo da maneira errada e, a partir do Método KidCoaching, fui buscando ferramentas para ajudá-lo mais efetivamente. Um dia, perto da hora de ir embora, todos estavam brincando. Ele ainda não tinha guardado o material, aí me disse: ‘Viu por que eu não gosto de me organizar? A organização me faz perder tempo. Tenho que parar de brincar para arrumar as coisas.’ Aproveitei essa oportunidade e perguntei: ‘Diante disso que está acontecendo agora, se você tivesse arrumado o seu material na hora certa, agora você estaria ganhando ou perdendo tempo?’ Ele respondeu: ‘Ganhando.’ Eu disse: ‘Tempo de quê?’ Ele respondeu: ‘De brincar.’

Ali o menino percebeu que os colegas iam ficar brincando enquanto ele teria que parar para organizar suas coisas. Essa pergunta fez sentido para ele, ‘virou uma chavinha’, e naquele momento surgiu no aluno o interesse de mudar. A partir daí, criei um projeto no qual levei cada um dos alunos da turma a gerar um objetivo que eles desejassem alcançar, uma meta pessoal que também fosse benéfica para o grupo. Ao fim de três meses, todos alcançaram suas metas, inclusive este menino – que tinha decidido ter sempre o material, a mochila e o casaco organizados para ter tempo de brincar na hora certa e não ter mais o inspetor todo dia chamando ele por causa de algum item perdido.”

                      

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