Que tipo de escola é melhor para os meus filhos? O que vai estar mais alinhado ao mercado de trabalho?

Que tipo de escola é melhor para os meus filhos? O que vai estar mais alinhado ao mercado de trabalho?

Por: Marcia Belmiro | Filhos | 18 de fevereiro de 2021

Uma dúvida comum a muitas mães tem ganhado ainda mais importância ultimamente: Em que escola matricular os filhos – crianças e adolescentes?

Definir a escola pode ser difícil porque, se a escolha não der certo, vai ser complicado mudar para outra instituição no meio do ano. Além disso, uma nova escola exige um período de adaptação do aluno (sem contar com os gastos com material e uniforme, no caso de uma escola particular).

Em 2021 essa situação ganha contornos ainda mais intensos. O ano de 2020 exigiu muito das famílias e das escolas, e salvo em casos raros o conteúdo que havia sido inicialmente definido teve de ser sacrificado em prol da saúde mental de todos os envolvidos. Os pais desejam que esse ano seja de aproveitamento acadêmico, mas também que seja um ano letivo o mais tranquilo possível para seus filhos.

Diante dessa situação, as famílias questionam se é melhor escolher uma escola mais tradicional ou mais alternativa; mais voltada ao acolhimento ou 100% comprometida em reverter o déficit acadêmico do ano passado.

A esse respeito, Marcia Belmiro responde: “Independentemente da pandemia, quero te provocar com um questionamento para que você possa vir a tomar sua decisão: No que você acredita? Você acredita que uma criança ou adolescente vai ser mais bem preparado em um ambiente que dê a ele informação (ou seja, com um cunho mais tradicional), que o desenvolvimento cognitivo é preponderante sobre os demais? Então realmente a escola tradicional vai atender melhor os seus anseios.

Se, por outro lado, você acredita que um adolescente ou uma criança vai prosperar mais na vida tendo um desenvolvimento além do cognitivo, calcado também nas habilidades relacionais, sociais, comportamentais e emocionais, as escolas alternativas, construtivistas, vão atender mais sua família.”

Há ainda um segundo aspecto a ser observado – tão importante quanto o primeiro –, conforme traz Marcia Belmiro: “Você conhece seu filho, sua filha? Qual é o estilo, a maneira de ser dessa criança, desse adolescente? Em que tipo de escola esse indivíduo vai ser mais bem desenvolvido nos seus plenos potenciais? Há crianças e adolescentes naturalmente mais racionais, é uma característica de sua personalidade. Esses indivíduos se desenvolvem melhor quando recebem uma grande quantidade de estímulos cognitivos. Há outros cuja maneira de ser – que não é melhor nem pior que a dos primeiros – é mais sensível: são perceptivos, atentos às relações humanas. Essas crianças e adolescentes serão mais bem desenvolvidos se estimulados em outras áreas que não sejam só a cognitiva.”

Tendo como base um estudo do Instituto Gallup com mais de 2 milhões de pessoas em diversas partes do mundo e cujos resultados foram citados no livro Descubra seus pontos fortes, há uma tendência de que as pessoas mais bem-sucedidas, que têm maior capacidade de desenvolvimento profissional e de contribuição para o mundo sejam também aquelas que tiveram suas forças próprias estimuladas ao longo da vida. Por outro lado, aquelas que gastaram grande parte do seu tempo tentando desenvolver o que não é natural em si mesmas podem vir a se tornar medíocres em tudo.

Na minha concepção, a visão da psicologia positiva se soma a essa pesquisa do Instituto Gallup. Na medida em que você desenvolver aquilo que já é naturalmente forte no jovem de hoje, vai tornar esse indivíduo mais feliz, mais produtivo, mais pronto para o mundo, independentemente de como este mundo se apresente daqui a 10, 20 ou 50 anos”, analisa Marcia.

Marcia continua: “Alguns pais perguntam: ‘Mas o que o mercado procura?’ Não temos como preparar, hoje, uma criança ou adolescente para o mercado de daqui a 20 anos, não dá para saber como estará esse mercado. Mas a gente sabe que filho a gente tem e no que a gente acredita.”

É muito difícil prever o que vai acontecer no futuro. Por isso, se a gente prepara os filhos dentro daquilo que lhes é mais natural, podemos dar a essa crianças e adolescentes, no futuro, condições de eles terem uma boa vida, seja como for.

Marcia provoca uma reflexão: “Ter um filho feliz e produtivo, autônomo, capaz de contribuir com o mundo é uma opção. A outra opção é ter um filho dentro daquilo que muitos pais idealizam como sendo a felicidade: ganhar dinheiro e ter sucesso – mas que não necessariamente está de acordo com os anseios do filho em sua própria vida adulta.”

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