O papel da prática na consolidação do aprendizado

O papel da prática na consolidação do aprendizado

Por: Marcia Belmiro | Carreira | 23 de janeiro de 2020

Entre KidCoaches e TeenCoaches, é comum haver uma insegurança sobre o quanto é preciso ler, quantas formações são necessárias, quanta experiência prévia como coach vai preparar o profissional para atuar. No entanto, depois de assistir aos módulos e fazer as atividades propostas, a melhor forma de continuar aprendendo é praticando. Só assim é possível consolidar as informações teóricas – que, acredite, são suficientes para atender crianças, adolescentes, famílias e escolas.

No artigo “Notas sobre a experiência e o saber de experiência”, o pedagogo espanhol Jorge Larrosa Bondía aborda a questão do aprendizado obtido por meio da prática. Ele faz um convite a pensar a educação a partir do par experiência/sentido, entendendo a palavra experiência como “o que nos passa, o que nos acontece, o que nos toca”.

Jorge fala da sociedade da informação, termo cunhado por Manuel Castells para designar a época em que vivemos, um momento de muito estímulo, mas sem tempo de reflexão. O pedagogo espanhol analisa: “Nunca se passaram tantas coisas [quanto na sociedade da informação], mas a experiência é cada vez mais rara. […] A informação não é experiência. E mais, a informação não deixa lugar para a experiência, ela é quase o contrário da experiência, quase uma antiexperiência.”

O estudioso considera a busca imensa pela informação que temos hoje em dia como uma obsessão, mas em seu entendimento, apesar de o indivíduo estar sempre bem informado, nada o toca verdadeiramente. Em suas palavras, “o saber de experiência se dá na relação entre o conhecimento e a vida humana”.

Nesse movimento de lançar-se à prática, é possível que erros aconteçam, mas ainda assim esta é a única forma de botar o conhecimento adquirido em uso, e assim alcançar o tão esperado aprendizado.

Sobre isso, Jorge fala: “O saber da experiência é um saber particular, subjetivo, relativo, contingente, pessoal. Se a experiência não é o que acontece, mas o que nos acontece, duas pessoas, ainda que enfrentem o mesmo acontecimento, não fazem a mesma experiência. O acontecimento é comum, mas a experiência é para cada qual sua, singular e de alguma maneira impossível de ser repetida. […] Ninguém pode aprender da experiência de outro, a menos que essa experiência seja de algum modo revivida e tornada própria.”

Como ter segurança para partir para a ação?

Ao contrário do que prega o senso comum, deixar transparecer a própria vulnerabilidade é uma força, não uma fraqueza. Nas palavras de Jorge:

“Do ponto de vista da experiência, o importante não é nem a posição (nossa maneira de pormos), nem a ‘o-posição’ (nossa maneira de opormos), nem a ‘imposição’ (nossa maneira de impormos), nem a ‘proposição’ (nossa maneira de propormos), mas a ‘exposição’, nossa maneira de ‘ex-pormos’, com tudo o que isso tem de vulnerabilidade e de risco. Por isso é incapaz de experiência aquele que se põe, ou se opõe, ou se impõe, ou se propõe, mas não se ‘ex-põe’.”

Então, se você tem medo de atender, vá com medo mesmo. E se permita fazer o seu melhor.

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