“Que caminho você quer para sua vida?”

“Que caminho você quer para sua vida?”

Por: Marcia Belmiro | Psicologia | 26 de janeiro de 2021

Recentemente Marcia Belmiro fez uma live com o título: “Que caminho você quer para a sua vida?” Esse assunto tem tudo a ver com as mães: Depois de terem filhos, é comum que as mulheres, estimuladas pela revolução íntima provocada pela maternidade, repensem seus rumos pessoais e profissionais, de modo a se aproximarem mais de seu propósito de vida.

Confira os melhores momentos dessa conversa com a audiência:

Que caminho você quer para a sua vida? Às vezes a gente até já sabe qual caminho quer seguir, às vezes já está até na rota. No entanto algumas coisas vão tirando a gente dessa rota, e a gente vai repetindo comportamentos que um dia tiveram sua utilidade, para nos preservar de alguma dor, mas que não servem mais hoje (não nos ajudam e muitas vezes até nos atrapalham). O que poderia estar te travando ou impedindo você de caminhar livremente, no caminho que você traçou para sua vida e que tem todo o direito de seguir?

Ao longo de toda a vida fazemos escolhas. Algumas delas, por terem sido feitas há muito tempo, parecem imutáveis. Ex.: Aos 18 anos você escolheu estudar Direito. Essa escolha já te trouxe muita satisfação e felicidade. Você fez um concurso público, ganha bem, mas hoje não percebe mais isso como seu propósito de vida.

Há algumas pessoas que em nenhum momento da vida definiram seu caminho. Estão na meia-idade e ainda não definiram onde se situam no mundo. Ter um caminho baseado numa escolha é determinante para alcançar realização e satisfação.

Para trazer isso para o concreto, vamos imaginar algumas cenas:

Cena 1: Eu ando por uma rua. Há um buraco fundo na rua. Eu caio no buraco.

Eu penso: “Não é minha culpa, afinal quem botou um buraco ali?” Demora uma eternidade para eu conseguir sair de lá.

Isso é uma metáfora da vida. Andando pela minha rota, vou me deparar com uma série de buracos: dificuldade de ter uma boa relação com meus filhos, rompimento do casamento, falta de dinheiro. Quando a gente cai nesses buracos, leva muito tempo para retomar nossa energia e seguir adiante. Isso acontece na vida de praticamente todas nós.

Cena 2: Eu ando pela mesma rua. Há um buraco o meio da rua. Eu caio de novo no mesmo buraco.

Eu penso: “Não acredito que caí no mesmo lugar (casei de novo com alguém que não vale nada; mais uma vez tive atitudes com meus filhos que não gostaria de ter tido; de novo estou passando dificuldades por conta de dinheiro).” Mas rapidamente penso: “Não é minha culpa, por que ninguém conserta esse buraco?”

Ao fazer isso, jogando a responsabilidade para algo externo, continuo atolada no buraco, e demoro muito mais para sair de dentro dele.

Cena 3: Eu ando pela mesma rua. Há um buraco fundo na rua. Eu vejo o buraco e ainda assim caio nele (estou sentindo que vou agir de uma forma que não gosto com meus filhos; estou fazendo escolhas que sei que não me levam aonde quero ir).

Meus olhos estão abertos, eu sei onde estou. Nessa hora algumas pessoas iluminadas pensam: “Peraí, o que está acontecendo comigo? Esse problema não é externo, é uma questão minha.”

Cena 4: Eu ando pela mesma rua. Há um buraco fundo no meio da rua. Eu dou a volta e não caio no buraco.

Quando a gente muda de atitude e para de parametrizar a vida nas situações difíceis, a gente simplesmente anda por outra rua, e isso é uma grande evolução. A referência deixa de ser o buraco (meu filho que é irritante, o parceiro que não me respeita), e passa a ser a percepção que tenho de mim mesma, com vistas àquilo que quero. E aí, nessa nova rua, a caminhada é mais efetiva, as coisas acontecem como desejamos.

Você quer um caminho no qual continue a cair nos mesmo buracos? Muitas pessoas optam por isso, do tipo “me deixa quieta no meu canto” ou porque acreditam que esse é o certo. Mas existem outras opções: Manter os buracos, mas ficar contornando eles (com o estresse, a amargura e a desesperança que isso inclui).

Ou ainda outra opção, que é criar outras vias, andar por outros caminhos, mais seguros e felizes. Isso é possível. É possível viver uma relação boa em família, ter um trabalho que traga satisfação e prosperidade, um parceiro respeitoso.

Ter para si a percepção da sua vida tal qual ela é não significa querer que ela continue do jeito que está, é sim o primeiro passo para provocar algum tipo de alteração. É admitir que esta é a sua vida sem obrigatoriamente se acomodar nela. Mas algumas de nós não dão conta de parar e fazer uma leitura da própria vida. Pensar que mesmo as situações difíceis, os “buracos” do caminho não apagam seu brilho, mas pelo contrário, lhe trouxeram firmeza e perseverança.

Temos uma tendência a pensar que ter uma vida boa só diz respeito aos momentos bons vividos, mas a trajetória de nenhum ser humano é só glamour, felicidade e bem-estar. E quando a gente olha para a vida de alguém e tem a impressão de que a vida do outro é assim, “perfeita”, há dois equívocos possíveis: Esse outro faz questão de mostrar algo que não é real ou sou eu que me engano, pensando que a “grama do vizinho é mais verde”. Ao conquistar essa noção, a pessoa se torna mais segura de si, mais firme.

O escritor Peter Drucker certa vez disse: “Nunca tivemos tantas opções para decidir sobre nosso destino. No entanto, nenhuma escolha será boa se não soubermos realmente quem somos, como sentimos, como agimos e reagimos às situações que são apresentadas a nós.”

Como você lida com a dor, com as situações dolorosas da sua vida? Qual é o tipo de reação que você costuma ter a uma situação dolorosa? Você experimenta a dor? Você confronta a pessoa? Você se deprime?

Hábitos, ideias que deram certo numa época, mas agora não dão mais, antigas percepções e atitudes sobre nós mesmas e sobre a vida nos colocam em situações de perigo, inclusive em relação à saúde física. O que você quer fazer com esses velhos hábitos e atitudes que hoje são riscos para a sua vida?

A única possibilidade é encontrar novas formas de fazer as coisas. Não adianta continuar vivendo do jeito que você vem vivendo, ainda que seja contornando os buracos, a não ser se livrando desse caminho esburacado.

Qual referência você quer ter? De se autoproteger, de se cuidar? Ou de deixar realmente que as coisas te tomem e te levem a lugares que você não quer ir? Proponho que você se sinta livre para testar novas atitudes: perdoar, agradecer, atitudes que promovam uma mudança de rota.

Os seres humanos jamais estão prontos. Evoluir é um processo contínuo, não um evento que começa agora e termina daqui a pouco. E é uma opção fazê-lo, mas percebo que as pessoas que optam por não passar por esse processo de reconhecimento de si mesmas são aquelas que correm mais riscos de sofrer.

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