Você está sofrendo com a “Síndrome da Caverna”?

Você está sofrendo com a “Síndrome da Caverna”?

Por: Marcia Belmiro | Carreira | 29 de abril de 2021

Palpitação, suor frio, sentimento de medo intenso. Para um número cada vez maior de pessoas, a simples menção a sair de casa para executar tarefas que antes eram cotidianas, como ir ao mercado, a uma consulta médica ou mesmo ir trabalhar no escritório estão causando reações emocionais e físicas tão inesperadas quanto difíceis de lidar.

De acordo com uma pesquisa da Envoy (fabricante de artigos de segurança para o local de trabalho) divulgada pela Época Negócios, uma parcela considerável dos profissionais que hoje trabalham em home office não aceitariam voltar ao sistema 100% presencial mesmo após o fim da pandemia.

Dos mil profissionais norte-americanos entrevistados, metade disse que se ao final da pandemia não conseguirem trabalhar de forma remota, provavelmente procurarão outro emprego.

Novos termos para um novo normal

Diante de tantas pessoas com relatos parecidos, os especialistas estão sentindo a necessidade de estudar o assunto. A psicóloga Sandra Salomão, professora da PUC-Rio, cunhou o termo Síndrome da Caverna para designar esse fenômeno – outros pesquisadores vêm usando nomes parecidos, como Síndrome da Cabana e Síndrome da Gaiola.

No fim das contas, todos esses conceitos têm a mesma essência: denominam uma série de comportamentos de pessoas que não se sentem mais confortáveis como antes da pandemia em sair à rua ou ter algum tipo de interação social – mesmo em ambiente aberto, de máscara e sem contato físico.

Para quem está fazendo quarentena restrita há mais de um ano, pode ser muito difícil ver pessoas na rua, sem tomar os devidos cuidados, como uso de máscara e distanciamento. E, embora o isolamento seja um grande causador de angústia, depois de tanto tempo as pessoas se acostumaram a ele, como uma ‘zona de conforto desconfortável’”, define Marcia Belmiro.

Da “caverna” de Platão às “cavernas” pós-modernas

O termo Síndrome da Caverna foi cunhado por Sandra tendo como referência o Mito da Caverna de Platão, em que um grupo de pessoas vivia dentro de uma caverna e não imaginava a possibilidade de sair dela e se arriscar a descobrir o mundo exterior.

Os estudiosos como Sandra Salomão preveem o aumento da incidência da Síndrome da Caverna à medida que as restrições de circulação forem diminuindo e a sociedade chegar ao “novo normal”.

Mesmo pessoas que não perderam ninguém próximo entraram em um processo de luto, um choque repentino capaz de acionar mecanismos como raiva, negação e depressão. O covid começou como uma coisa ‘lá na China’, e de repente estava muito perto de nós. Para algumas pessoas esse choque foi além de sua capacidade adaptativa”, analisa Sandra.

A Síndrome da Caverna não é considerada um transtorno mental, mas pode ser um sinal de que algo não vai bem, portanto é indicado procurar um profissional de saúde (psicólogo ou psiquiatra) para avaliar a necessidade de iniciar um tratamento.

Fontes:

Psicologia Com@Vida – Síndrome da caverna: qual normal você quer para a sua vida agora? [live com Sandra Salomão]. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=2aQwMqrFZUU

Alguns funcionários preferem se demitir a perder flexibilidade do trabalho híbrido”. Disponível em: https://epocanegocios.globo.com/Carreira/noticia/2021/04/alguns-funcionarios-preferem-se-demitir-perder-flexibilidade-do-trabalho-hibrido.html

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