Ensino on-line e coronavírus

Ensino on-line e coronavírus

Por: Marcia Belmiro | Educação | 16 de abril de 2020

Com o avanço da pandemia de coronavírus, quase todos os aspectos da vida dita “normal” foram alterados por tempo indefinido. Um dos que mais está afetando escolas e famílias é a suspensão das aulas presenciais, cujo início se deu em 16 de março e foi aumentando gradativamente, até incluir todos os estados brasileiros. O MEC se pronunciou, flexibilizando a obrigatoriedade de 200 dias letivos, mas mantendo as 800 horas anuais necessárias na educação infantil, e nos ensinos fundamental e médio.

De uma hora para outra, sem aviso prévio nem tempo para se prepararem, famílias e instituições de ensino tiveram de se reinventar. Para a maioria das escolas e universidades, a solução encontrada foi manter as aulas, só que no formato on-line, por meio de vídeos gravados pelos professores e PDFs com exercícios.

O ensino a distância (EAD) tem sofrido muita resistência de todos os lados: há uma disputa entre sindicados de professores e de escolas (na qual os docentes denunciam falta de recursos e condições de trabalho precárias), discussões sobre carga horária e número de dias letivos no ano, efetividade do conteúdo ministrado aos alunos, a possibilidade de redução dos valores de mensalidade…

“Todos sabemos que a realidade da educação no formato EAD está longe do que seria ideal, mas diante da situação de calamidade pública que vivemos não há escolha. No entanto, como esse conteúdo vai ser disponibilizado on-line pode, sim, ser repensado”, analisa Marcia Belmiro.

Marcia discute a lógica produtivista que rege a educação brasileira, na qual o conteúdo deve ser dado sem qualquer adaptação, ignorando que a situação que se apresenta definitivamente não pode ser classificada como normal.

Esse formato escolar já estava ultrapassado há muito tempo, e a questão só se aprofundou neste momento de quarentena por conta do coronavírus. No entanto, em meio a uma pandemia, ter notas altas, passar de ano, definitivamente não são as prioridades para os estudantes”, reflete Marcia.

Por outro lado, sabemos que escolas são empresas e precisam ser sustentáveis financeiramente. Sob meu ponto de vista, a solução obrigatoriamente passa por repensar conceitos e prioridades. Encher os alunos de conteúdo EAD apenas para justificar o valor pago em mensalidades significa obrigar crianças e adolescentes a ficar horas e horas de frente para uma tela todos os dias, o que cientificamente é comprovado como prejudicial”, alerta.

Marcia sugere que se os gestores escolares, os professores e os pais se reunirem – virtualmente, claro –, é possível pensarem juntos em alternativas para manter a saúde da empresa e garantir o desenvolvimento dos jovens.

Ao se abrirem para ouvir e falar sobre as necessidades de todos, fica muito mais fácil chegarem a um consenso. Agora é hora de ensinar mais do que história, biologia ou matemática – embora seja absolutamente possível usar a situação atual e fazer relações com os conceitos das disciplinas da grade curricular –, mais do nunca este é o momento de ensinar na prática as tais habilidades socioemocionais descritas na BNCC: empatia, resiliência, trabalho em equipe – recursos que vão garantir a sanidade de todos os envolvidos neste momento de crise. E, para além da pandemia, para toda a vida.”

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